Moy Yat Ving Tsun Belo Horizonte Savassi / Diretor: Mestre Sênior Anderson Maia (Moy On Da San), introdutor da Denominação MYVT em Minas Gerais, em 1990.
Já tornou-se uma tradição na Moy Yat Ving Tsun de Minas Gerais encerrar o ano de atividades reunindo membros e amigos da Família Kung Fu para um workshop de Baat Jaam Do - as facas gêmeas do Ving Tsun - seguido por um jantar chinês de confraternização.
Reunião dos membros na sala 1 do novo núcleo MYVT da Savassi.
O evento começou com o Si Fu Anderson Maia apresentando oficialmente a Dra. Clara Araújo, sua aluna no Ving Tsun, e agora responsável pela ala de Medicina Chinesa do núcleo. Ela irá compor o novo conceito, intitulado "Sala das Cinco Pétalas", que abordará cinco aspectos da cultura chinesa, em cinco ambientes distintos, além da arte marcial. Nosso novo trabalho de saúde já pode ser agendado pelo website: www.claraaraujo.com.br.
Dra. Clara Araújo: Medicina Chinesa na Moy Yat Ving Tsun.
No workshop sobre as facas do Ving Tsun, o último domínio do sistema, os presentes puderam tirar dúvidas sobre essa arma marcial, além de apreciar uma especial demonstração dos "oito cortes" das facas. Ressalta-se que a tradição do aprendizado do Baat Jaam Do se dá de maneira reservada e sigiloso, sendo raríssimas as demonstrações desse gênero.
Si Fu Anderson Maia em demonstração do Baat Jaam Do.
O Tutor Sênior e mestrando William Nogueira (Moy Wai Lim) foi o convidado do Mestre Anderson Maia para relatar sua experiência na cutelaria das facas do Ving Tsun, sendo ele o responsável pela confecção do Baat Jaam Do do Grão-Mestre Leo Imamura, desde 2001.
William Nogueira e as facas de sua autoria.
Para encerrar as atividades do Mo Gun, ocorreu o Hoi Kuen, a abertura marcial, do membro Arlen Freitas, convidado pelo Si Fu Anderson Maia para a admissão formal na Família Moy On Da San do Clã Moy Yat Sang.
Arlen Freitas, novo membro da Família Moy On Da San.
Por fim, a foto oficial de encerramento do ano, com os membros ativos presentes na noite.
Membros ativos, presentes no evento de encerramento do ano 2016.
O jantar chinês encerrou a especial noite, confraternizando todos aqueles que fizeram história no núcleo Belo Horizonte no ano de 2016.
Confraternização no jantar chinês.
A Moy Yat Ving Tsun Belo Horizonte Savassi retorna suas atividades em 3 de janeiro. Agende sua visita para 2017 pelo www.myvtmg.com.br
Madame Helen Moy, viúva do Patriarca Moy Yat, continua ativa como líder maior do grande Clã Moy. Como em todos os anos desde 2001, o aniversário dela serve como congregação das escolas Moy Yat Ving Tsun de todo o mundo, reunindo lideranças, mestres, discípulos e alunos das mais diversas localidades.
Julian Cordero ao lado da líder Helen Moy, em mesa com grão-mestres e mestres da MYVT.
Nesse ano, a celebração ocorreu na Flórida - EUA, sob a organização do Si Fu Julian Cordero, antigo discípulo do Patriarca Moy Yat, tendo ele estabelecido há décadas sua escola em Miami - FL.
Madame Helen Moy c/ os mestres William Moy, Julian Cordero, Pete Pajil, Anthony Dandridge, Rex Aperauch, Leo Imamura, Sam Harris e Julio Camacho.
Foto oficial com discípulos de primeira geração do Patriarca Moy Yat reunidos no evento da Flórida.
O evento transcorreu em terra norte-americana, com um jantar de abertura e outros eventos em Palm Beach. Em seguida, o Clã Moy Yat embarcou em um Cruzeiro rumo as ilhas caribenhas. Em ambos, a atmosfera foi cultivar a "Vida Kung Fu", a relação de aprendizado nos momentos cotidianos e não apenas na aprendizagem formal do Sistema Ving Tsun.
Grão-mestre Leo Imamura e sua esposa, Vanise Imamura, prestigiaram o evento.
Em seu 76o. ano de vida, a líder Helen Moy continua agregando pessoas, das mais diferentes gerações do Clã Moy do Ving Tsun Kung Fu.
Foto oficial do evento na Moy Yat Ving Tsun Flórida - EUA.
Acompanhe o vídeo com a tradicional Dança do Leão (Mo Si) na abertura da celebração de aniversário da líder do Clã Moy Yat:
Segundo o registro oficial do Patriarca Moy Yat, no dia 1 de dezembro de 1972, às 5:45, falecia o grande Patriarca Ip Man, em Hong Kong. Nesse exato dia e horário, em tributo ao 8o. ancestral do Ving Tsun, oficialmente abriu-se a 8a. escola Moy Yat Ving Tsun em Belo Horizonte, no bairro Savassi.
Nomeada Sala das Cinco Pétalas, o espaço inaugurado terá, além da transmissão tradicional do Sistema Ving Tsun sob a denominação Moy Yat Ving Tsun, a rica diversidade da cultura chinesa. Em cinco salas, cuidadosamente preparadas, teremos:
I. Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence (Ving Tsun Kung Fu)
IV. Curso Língua e Escrita Chinesa (Mestre Leonardo Mordente - Moy Lei On)
V. Curso Arte da Guerra de Sun Tzu - Sunzi Bingfa* *apoio cultural das instituições ADESG / ESG (www.esg.br)
Ainda entre dezembro/16 e janeiro/17, haverão atividades para a apresentação das referidas "cinco pétalas".
Agradecemos o apoio de nossos membros e amigos do círculo marcial para alcançarmos esse patamar, em nosso 26o. ano de atividade ininterrupta na capital mineira.
A Vila Gu Lo (Gulao) localiza-se em Heshan, província de Guangdong, sul da China. Fica próxima a cidade de Fat Saan (Foshan), cidade berço do Ving Tsun Kuen. Foi na referida vila que nasceu e faleceu o 6o. patriarca do Ving Tsun, o famoso médido Leung Jaan (1826-1901).
Supostas fotos do Patriarca Leung Jaan e seu filho, Leung Bik.
Recentemente, inaugurou-se na Vila Gu Lo um "Memorial Hall" sobre o patriarca Leung Jaan, que ainda no seu tempo era chamado de "O Rei do Kung Fu" pelo círculo marcial. Nos arredores da residência, foram instaladas 12 estátuas, bonecos de madeira e armas, além da restauração da secular construção:
O curioso é saber das transformações desse tradicional local no século XXI, passando de um sítio abandonado até mesmo pelos residentes, quando a China se fechou e deixou vários verdadeiros patrimônios culturais se deteriorarem, no século passado, à um "centro turístico de artes marciais" dos dias de hoje.
Foto creditada à praticantes de Kung Fu da antiga Vila Gu Lo.
Tudo indica que tal mudança começou em 1999, quando o Grão-Mestre Leung Ting, de Hong Kong, visitou a Vila Gu Lo com autoridades locais. Veja o estado da então residência onde o patriarca Leung Jaan viveu seus últimos dias de vida:
Vista área da vila no início do século XX: quase abandonada.
O interior da casa de Leung Jaan: servindo como depósito da vila.
Grão-mestre Leung Ting visitando a Vila Gu Lo, em 1999: abrindo portas.
É sabido que na Vila Gu Lo houve a preservação do Kung Fu transmitido pelo Patriarca Leung Jaan em sua terra natal, que ficou conhecido como "Gu Lo Ving Tsun" ou também "Pin San Ving Tsun". Os nativos aprenderam do "rei marcial" e os conhecimentos se preservaram até a atualidade, ainda que a casa em que viveu Leung Jaan não se dava tanta importância, até a chegada de visitantes.
Fachada da residência antes das primeiras restaurações.
Novas estátuas com muros restaurados da Vila Gu Lo.
Interior da residência: antes um depósito e agora um Mo Gun para prática.
Da primeira investida em 1999, por Leung Ting, até a construção do memorial à Leung Jaan, o Clã Moy Yat pode visitar a Vila Gu Lo em duas ocasiões: a primeira em 2009, acompanhada da líder maior, sra. Helen Moy e vários grãos-mestres; a segunda, em 2012, em uma comitiva menor, formada por mestres e tutores brasileiros da Moy Yat Ving Tsun.
Comitiva do Clã Moy Yat em 2009: a primeira visita oficial à Vila Gu Lo.
2012: Comitiva brasileira ao lado de mestres nativos da Vila Gu Lo.
Ainda inédito em língua portuguesa, o Mestre Leonardo Mordente (Moy Lei On) lançou em 2010, por ocasião do 70o. aniversário da líder Helen Moy, em New York, a obra "Dr. Leung Jaan", com material inédito sobre dados históricos do Patriarca Leung Jaan, que inclui pesquisa aprofundada da Vila Gu Lo - não a nova e modernizada, mas a antiga, que estabelece traços tradicionais com o real Kung Fu e o sexto patriarca do Ving Tsun.
O autor, Leonardo Mordente, e a obra Dr. Leung Jaan (NY, 2010).
O livro "Dr. Leung Jaan": ainda inédito no Brasil.
Tertúlia é um encontro de pessoas que periodicamente definem um local para discutir idéias e disseminar conhecimentos. Essa proposta de reunião faz parte do Kung Fu e das Artes Marciais Chinesas desde a antiguidade, à época das Tríades, as "Sociedades Secretas" chinesas.
Grão-Mestre Ip Ching recebendo a família Moy na histórica residência do Patriarca Ip Man.
A foto acima refere-se a um encontro de mestres e tutores brasileiros da família Moy, que estiveram em Hong Kong na histórica residência do Patriarca Ip Man, em outubro de 2012, recebidos pelo Grão-Mestre Ip Ching, filho do patriarca. O caráter reservado da reunião e os raros assuntos abordados, pode-se dizer que esse memorável dia ocorreu uma "tertúlia marcial".
Os mestres Anderson Maia e Leonardo Mordente na tertúlia sobre o bastão longo.
O hábito de reunir grupos regularmente, de todas gerações, se mantém na MYVT Belo Horizonte, através da iniciativa dos mestres Anderson Maia e Leonardo Mordente. Nessa semana, os tutores ativos Pedro Gontijo, Paulo de Figueiredo, Pedro Naves, Luiz Flávio Gomes, Helder Lima e Thiago Rochael foram convidados pelos citados mestres para a tertúlia "Luk Dim Bun Gwan", sobre o bastão longo do Ving Tsun. A obra do Patriarca Moy Yat sobre o tema serviu como referência para a conversa, ocorrida no restaurante chinês Yun Ton.
Livro do bastão longo do Ving Tsun (Moy Yat, 2000).
A tertúlia também serviu para anunciar a produção do bastão longo, seguindo rigorosos padrões de qualidade preservados pelos mestres de Kung Fu. O artesão será o tutor Luiz Flávio, discípulo do Si Fu Anderson Maia desde 2003. Referências dentro e fora da família Moy estão sendo estudados. O famoso "rei do bastão", o Grão-Mestre Tang Yik, serviu como exemplo mais distante.
Tang Yik, o "rei do bastão" em tertúlia marcial de Hong Kong.
A Tertúlia Marcial do Luk Dim Bun Gwan terá sua segunda parte no mês que vem, agora com abordagem prática do bastão longo do Ving Tsun. Por que o que é bom e tradicional no Kung Fu deve-se continuar promovendo.
Antes de Bruce Lee (Lee Jun Fan) se tornar celebridade, no início dos anos 70, ele havia atingido alguma fama na TV americana, principalmente atuando como Kato, o mordomo-lutador da série Besouro Verde (The Green Hornet TV Series - 1966):
Apesar do relativo sucesso, o Besouro Verde não resistiu ao seriado Batman e saiu do ar. Porém, a aparição de Bruce Lee como Kato deu alguma visibilidade ao jovem ator, possibilitando ele mostrar aos produtores alguns roteiros, na esperança de emplacar sua carreira artística. Dentre os projetos, Lee apresentou "The Silent Flute" e "The Warrior". Ambas histórias não foram aceitas, e um dos motivos era que nenhum estúdio confiava que Bruce Lee, um chinês de estatura baixa e sotaque, poderia cativar a audiência norte-americana. O fato é que ambas produções foram a público nos anos 70, após o estrelato do "Pequeno Dragão" nos cinemas, porém, sequer mencionaram o nome do idealizador. Nesse hiato entre o Besouro Verde e o cinema asiático, Bruce Lee demonstrou suas habilidades e idéias, já batizada de Jeet Kune Do, na série de TV Longstreet (1971):
A série "The Warriors" foi renomeada para "Kung Fu", em 1972, apresentando o ator norte-americano David Carradine como protagonista, alheio a qualquer menção do criador. Bruce havia idealizado o cenário e o episódio piloto: passado no velho-oeste americano, onde um imigrante chinês seria um forasteiro, após viver na China e ter aprendido Kung Fu com um sábio mestre do Monastério Shaolin. O sucesso da série Kung Fu espalhou-se pelo mundo. Foram 3 anos de produção e, mesmo após décadas, a série do "sábio Mestre Po" e do "pequeno gafanhoto" até hoje é reprisada, influenciando o universo da ficção marcial:
Toda essa "herança" do início dos anos 70, fazendo uso do Kung Fu em suas diversas facetas, teve um renascimento no ano de 2003 quando o diretor Quentin Tarantino lançou o filme Kill Bill (Vol. 1 e 2), uma real homenagem aos ícones marciais do anos 60 e 70, onde o principal, sr. Bill, foi protagonizado pelo ator David Carradine:
No Brasil, tais ícones parecem ter ressurgido, bem ao estilo "brasileiro-nordestino", com a boa comédia "Shaolin do Sertão", que estreou com grande sucesso nos cinemas de todo o Brasil. Uma clara homenagem ao passado, provando que, não importa o ambiente, a cultura e a época, o Kung Fu move a sociedade das mais diversas maneiras, até mesmo de forma puramente cômica.
No dia 10 de outubro de 1893 nascia Ip Man, na cidade de Foshan, Sul da China. Filho de uma família aristocrata, ele ainda criança foi aceito como discípulo de Ving Tsun do Patriarca Chan Wa Sun, sendo o último dos apenas dezesseis seguidores. Tais praticantes de Ving Tsun ficaram conhecidos no início do século XX como "Siu Ye Kuen", os "jovens cavalheiros marciais". Esse prestígio ainda jovem se estendeu por toda a vida do patriarca, mesmo nas maiores adversidades vividas na época, da guerra sino-japonesa à imigração dos chineses para Hong Kong, até o fim de sua vida, em 1972.
Foto de um evento organizado por Moy Yat nos anos 60 (sentado à esquerda do Patriarca Ip Man)
O grande Clã Moy Yat presta respeito ao oitavo patriarca do Ving Tsun Kung Fu, como forma de tributo, no dia de seu aniversário. Essa homenagem tem seus primórdios ainda em Hong Kong, quando o então discípulo de Ip Man, Patriarca Moy Yat, era o principal organizador da festa de aniversário do grande mestre, reunindo centenas de pessoas da comunidade marcial da ilha britânica.
Bruce Lee tornou Ip Man conhecido mundialmente, ainda nos 60.
Se foi Bruce Lee o responsável pela fama mundial do Patriarca Ip Man, o status local, em Foshan e Hong Kong, nada tem haver com seu célebre discípulo, havendo muito antes dos anos 60 um grande prestígio no círculo marcial e na sociedade chinesa, conquistada pelo carisma e potencial humano do grande mestre, nunca através de combates marciais ou qualquer demonstração de habilidades físicas. O Museu de Ip Man em Foshan (Ip Man Tong) expressa parte dessa importante personalidade chinesa (vide http://www.foshanmuseum.com/ymt/ymt.htm).
Os seis principais filmes sobre o Patriarca Ip Man, entre 2008 e 2015.
No século XXI, com o advento dos filmes, o papel das famílias tradicionais de Kung Fu, em especial à Moy Yat Ving Tsun, pelos estreitos laços entre o mestre e o discípulo durante anos de convivência rotineira, é de preservar o Homem Ip Man, separando do mito que está se criando. Um legado cultural de Artes Marciais se perpetua não de histórias fictícias e lendas, mas acima de tudo da salvaguarda do conhecimento através do aprendizado e da relação diária.
Noite em que se prestou homenagem ao Patriarca Ip Man na MYVTMI Belo Horizonte.